Work in progress?

A noção de “work in progress” atrela à ideia de uma perfilização infinita, com o presente absorvendo os acentos do tempo. 

O que significa dizer que “ainda não está finalizado?”. Ou que uma obra está sempre “em aberto?” É que para estar em aberto, ela precisa de estar lá e ter um lastro ontológico que permite o interface com leituras e interpretações marcadas pela historicidade e pelo horizonte de compreensão do intérprete, portador de uma condição sociológica incontornável. 

Passar de um absolutismo que transforma a ontologia em metafísica ou rumar para um sociologismo que tudo avalia sob o seu prisma sempre contextual é não perceber a tensionalidade entre as dimensões ontológica e sociológica (ambas participam nas dinâmicas instituintes da forma como a realidade nos aparece e é interpretada) e não situar o humano nesse “espaço entre” (relação com o ser, relação consigo e com os outros) em que habita. Porque somos instigados à ideia de que todo o ponto de chegada é um ponto de partida, valorizando este último mais do que o primeiro? Podemos ter ao menos um pouco de permanência e fazer a festa hospitaleira de colher e apreciar o que se vai semeando?