(Post 33) A importância pedagógica do modelo de Toulmin

Várias aplicações do modelo de Toulmin são uma boa ilustração da mais-valia que este esquema pode ter em termos pedagógicos para ajudar os alunos a perceberem como se processa a estruturação justificativa do raciocínio.
De notar, também, que o esquema de Toulmin permite definir cinco tipos de falácias: ausência de razões (ou dados), razões (ou dados) irrelevantes, razões (ou dados) deficientes, alegações sem garantia e falácias da ambiguidade.
Assim, do ponto de vista pedagógico, este esquema proporciona não só um modelo para disciplinar o raciocínio argumentativo como, ainda, para avaliar a sua força ou «sonância» (soundness).
Mais do que a transposição «geométrica» dos discursos nas categorias touminianas, o que é interessante neste esquema é que ele focaliza a organização do raciocínio e permite perceber as suas subtilezas e complexidades, pontos fortes e fracos. E coloca-nos no plano de uma normatividade não necessariamente necessária porque articula o campo independente com o campo dependente. Ou seja, não fecha o raciocínio em si mesmo, mas abre-o à discutibilidade. E isso parece-me pedagogicamente muito relevante.
Há ainda outro aspeto de valia pedagógica no modelo de Toulmin: é que ele diz que «não basta alegar, também é preciso justificar». Isso carrega uma proposta de civilidade argumentativa (ou seja, procedimentos cuja racionalidade é não dispensar argumentos na fundamentação das alegações, nem ser surdo diante de argumentos apresentados).

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