Porque é que o raciocínio, em sentido estrito, é insuficiente para ocupar o lugar central na análise das argumentações? Porque, se é verdade que proliferam raciocínios e inferências numa argumentação, mais importante que eles é movimento de tematização a que eles estão ligados. Tematizar significa trazer ao discurso (inventio) uma série de considerações que têm por função enquadrar o assunto em questão (ou seja, dizer em que termos ele é colocado, que vias foram escolhidas para o organizar e problematizar) ou, dito por outras palavras, a tematização significa colocar o assunto em perspetiva. Por exemplo, pode tematizar o assunto da governação de um país comparando-a à gestão de uma casa de família (recurso à analogia) e equacionar os problemas da governação em termos de gestão caseira. Ora é a partir desta tomada de perspectiva que se poderão encadear raciocínios baseados em juízos de facto, valor e ação. Como bem escreveu Willard (1983: 134 e 143): «quando uma pessoa escolhe entender os acontecimentos como, por exemplo, um economista e não como um psicólogo, ele está a fazer algo que deveria ser do máximo interesse para nós. Ele está a comprometer-se no sentido mais preciso do raciocínio ‘se então’, ou seja, a escolha dos padrões de juízo e de veracidade deste ou daquele campo implica que um actor implícita ou explicitamente pensa através das possibilidades de ‘dadas as regras de fundo da linguagem X, o meu raciocínio seguirá o este caminho; dadas as regras da linguagem Y, o meu raciocínio seguirá aquele caminho».
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