(Post13) Argumentação, relações de poder e análise argumentativa

Quando pensamos nas atitudes dos argumentadores — que, segundo Brockriede, podem ser tipificadas nas categorias do manipulador, do sedutor e do amante (veja-se o texto «Arguers as Lovers») — aquilo de que estamos a falar é de relações de poder.

No caso da argumentação, a questão das relações de poder formula-se essencialmente pela forma como ocorre a gestão das potencialidades do espaço dialógico e afere-se em termos da intensidade com que o acento é colocado na unilateralidade ou na multilateralidade. As posturas unilaterais são geralmente acompanhadas da imposição da autoridade (e, em casos extremos, do exercício de um puro poder, de uma autoridade sem apelo); as posturas multilaterais valorizam geralmente a paridade, o caminho conjunto e partilhado, o assentimento e a preservação da liberdade do espaço de decisão do outro.

Ainda que seja banal defrontarmo-nos com análises argumentativas centradas em questões de linguística textual e em mecanismos enunciativos, mais raras são as análises argumentativas preocupadas em detetarem que tipo de relações de poder estão presentes numa determinada interação argumentativa e de que modo esse quadro influencia o seu desenrolar.

Formulada de um modo mais simples, a análise argumentativa pode ser feita em função da questão: como é que o outro, nesta situação concreta de argumentação, está a ser tratado? Se esta questão é relevante para toda a situação de comunicação, ela é-o, mais ainda, no caso da argumentação. Aqui fica, pois, a sugestão.

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