Definições de argumentação
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Definições de argumentação e de retórica


Chaïm Perelman:
«O objecto desta teoria é o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses propostas ao seu assentimento».
(Traité de l’Argumentation, Éditions de l’Université de Bruxelles, 5ed., 1986, p. 5)

Stephen Toulmin:
«O termo argumentação será usado para referir toda a actividade de apresentar teses, desafiá-las, reforçá-las através de razões, criticar essas razões, refutar essas críticas, e por aí em diante».
(Stephen Toulmin, Richard Rieke, Allan Janik, An Introduction to reasoning, Macmillan Publishing Co., Inc., 1984, p. 14)


Jean-Claude Anscrombre e Oswald Ducrot:
«Quando falamos de argumentação, referimo-nos sempre a discursos que comportam pelo menos dois enunciados E1 e E2, dos quais um é dado para autorizar, justificar ou impor o outro; o primeiro é o argumento, o segundo a conclusão».
(L’argumentation dans la langue, Mardaga, 1983, p. 163)

Michel Meyer:
«ARGUMENTAÇÃO: argumentar é dar uma resposta a uma dada questão com vista a suprimi-la. O acordo resulta desta supressão. Se o desacordo persiste, é porque o interlocutor estima a questão como não resolvida, e considera que a resposta proposta não o é realmente (equivalente a: não é a boa). A argumentação faz parte da retórica. Se é preciso fornecer um argumento, é porque a questão não pode ser oferecida com a finalidade em branco. Ela exige uma mediação: uma resposta a uma questão serve também de resposta a uma outra, sendo então o argumento. O argumento é uma resposta que é a razão de uma outra».
(Qu’est-ce que l’argumentation, Vrin, 2005, p. 115)

«O que é um argumento senão uma perspectiva sobre uma questão? Resolver uma questão — o que é próprio do discurso — é argumentar».
(Logique, langage et argumentation, Hachette, 1982, pp. 136-137)
Maria lúcia lepecki:
«Ao estudo dos aspectos universais do discurso verbal denomino Retórica, pretendendo a inicial maiúscula evitar a confusão com retórica, tecido discursivo».
LEPECKI, M. L., 2003, Uma questão de ouvido. Ensaios de retórica e de interpretação literária, Lisboa, D. Quixote, p. 18.

Cristhian Kock:
«A retórica é uma ciência empírica e normativa sobre a produção e recepção de expressões, consideradas na sua inteireza. O seu projecto é estudar as expressões humanas vistas no seu contexto situacional total»
Kock, Christian: “Retorikkens Identitet” in Rhetorica Scandinavica 1, 1997

paolo valesio:
«A retórica [...] é toda a língua, na sua realização como discurso»
VALESIO, Paolo, 1986, Ascoltare il silenzio — la retorica como teoria, Bologna, II Mulino, p. 22.

Thomas Farrel:
A retórica é «um maneira colaborativa de envolver os outros através do discurso de forma a que contingências possam ser resolvidas, juízos processados e acção produzida».
FARREL. T. 1990, «From Parthenon to the Bassinet: Along the Epistemic Trail» in The Quarterly Journal of Speech, 76, p. 83.

Frans van Eemeren e Rob Grootendort:
«Argumentação é uma actividade verbal, social e racional cujo propósito é o de convencer um crítico razoável da aceitabilidade da sua tese, apresentando uma constelação de proposições que justificam ou refutam a proposição expressa na tese»».
(A Systematic Theoriy of Argumentation, Cambrige University Press, 2004, p. 1)

Christian Plantin:
«Argumentar é dirigir a um interlocutor um argumento, isto é, uma boa razão, para o fazer admitir uma conclusão e, claro está, os comportamentos adequados. Uma argumentação compõe-se de dois elementos essenciais: um argumento ----> uma conclusão».
(Plantin Ch., 1989, Argumenter. Paris : CNDP, Fiche N° 2)

«O texto seguinte, produto de uma montagem de termos frequentemente associados à argumentação, permite fazer uma primeira ideia deste feixe. Alguns elementos deste campo ‘estereotípico’ ou ‘associativo’ foram recompostos num discurso espontâneo sobre a argumentação, logo um metadiscurso. A sua organização deixa-se percorrer segundo as seguintes linhas:

‘A argumentação tem uma face cognitiva: argumentar é exercer um pensamento justo. Através de um processo analítico e sintético, estruturamos um material, depois, examinamos um problema, reflectimos, explicamos, demonstramos através de argumentos, de razões, de provas. Fornecemos as causas. A conclusão da argumentação é uma descoberta, ela produz inovação ou pelo menos conhecimento.
O argumentador desdobra o intuitivo. Ele articula uma lógica num discurso, numa língua que domina e onde exprime um pensamento correcto, mas igualmente sedutor, que sabe ser sério ou irónico sem deixar de ser coerente.
A argumentação funciona em situação, na vida quotidiana. Na esfera social ela toca ao económico (permite fazer publicidade, ajuda a vender), ao judiciário (processo), à política e ao poder. Argumentamos em todas as situações em que existe uma alternativa, trazendo uma possível contestação, onde (nos) devemos justificar, onde a acção deve ser responsável e tomada a justa decisão.
Se o argumentador tiver gosto no exame crítico, as suas capacidades mostram-se no debate de ideias, onde são confrontadas as opiniões, aí encontrando objecções e suas refutações: a multiplicação de pontos de vista conduz à tolerância, o que não significa que se renuncie a convencer o parceiro. Ela supõe um distanciamento que permite fazer a melhor escolha.
Mas é preciso desconfiar deste angelismo. A discussão transforma-se facilmente em disputa. A argumentação é uma actividade suspeita, com os seus paralogismos, sofismas, pseudo-raciocínios capciosos e falaciosos. Ela deixa o campo aberto às argúcias e à má fé. O argumentador torna-se um raciocinador, um chicaneiro, um sofista: esforçamo-nos então para ficar a par das estratégias, de utilizar armas para ganhar, num combate que termina com a estocada de uma argumentação capaz de atingir o adversário, fazendo-o perder o fio do discurso».
(L’argumentation, Seuil, 1996, pp. 15-16)

A argumentação é «uma forma de interacção problematizante formada por intervenções orientadas por uma questão».
PLANTIN, C., «Analyse et critique du discours argumentative» in KOREN, Roselyne e AMOSSY, Ruth (Org.), 2002, Après Perelman: quelles politiques pour les nouvelles rhétoriques?, Paris, L’Harmattan, p. 229

ROBERT HARIMAN
«Podemos definir a retórica como uma reflexão sobre a sociabilidade da linguagem».
HARIMAN, R, «Status, Marginality and Rhetorical Theory» in LUCAITES, John L., CONDIT, Celeste M., Caudill (Org.), S., 1999, Contemporary Rhetorical Theory, The Guilford Press, New York/London, p. 48.

JAMES CROSSWHITE
«A retórica é a conversa que pode oferecer uma compreensão de como o raciocínio argumentativo — todo o raciocínio argumentativo — funciona».
CROSSWHITE, J., 1996, The Rethoric of Reason. Writing and the Attractions of Argument,
The University of Wisconsin Press, p. 250.

Pierre Oléron:
«A argumentação pode ser definida de diferentes maneiras. Nós adoptaremos a definição seguinte: a tarefa pela qual uma pessoa — ou um grupo — procura levar um auditório a adoptar uma posição, recorrendo a apresentações, ou asserções — argumentos — que visam mostrar a sua validade ou a sua boa fundamentação.
Esta definição faz sobressair três características de base da argumentação sobre as quais retornaremos adiante mais em detalhe:
1) A argumentação faz intervir várias pessoas: as que a produzem, as que a recebem, eventualmente um público ou testemunhos. É um fenómeno social.
2) Não é um exercício especulativo, como o seriam, por exemplo, a descrição de um objecto, a narração de um acontecimento (ainda que possamos duvidar que existam acções, mesmo verbais, puramente gratuitas). É uma tarefa para a qual uma das pessoas visa exercer influência sobre a outra.
3) Faz intervir justificações, elementos de prova em favor da tese defndida, a qual não é imposta à força. É um procedimento que comporta elementos racionais; ela tem também relações com o raciocínio e a lógica».
(L’Argumentation, P.U.F., 2ed, 1987, pp. 4-5)

Olivier Reboul:
«Podemos definir a argumentação como uma proposição destinada a fazer admitir outra.
Mas imediatamente clarifica que esta definição tem de ser enquadrada numa oposição ao domínio do demonstrativo e que, nesse sentido, ela se caracteriza por cinco traços essenciais:
«1. Dirige-se a um auditório. 2. Exprime-se numa linguagem natural. 3. As suas premissas são verosímeis. 4. A sua progressão depende do orador. 5. As suas conclusões são sempre contestáveis».
(L’Argumentation, Org. Alain Lempereur, Mardaga, 1991, p. 100)

Anthony Winston:
«Neste livro ‘argumentar’ quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis a uma conclusão».
(A arte de argumentar, Gradiva, 1996, p. 13).

Josina Makau e Debian Marty:
«A argumentação é um processo de comunicação utilizado pelas pessoas para compreenderem e fazerem entender as diferentes perspectivas sobre um dado tópico e para as ajudar a decidir como se posicionam sobre assuntos relevantes».
(MAKAU, J. M., MARTY, D. L., 2001, Cooperative argumentation: A model for deliberative community,
St. Martin’s Press, New York, p. 81).

Gerard A. Hauser
«(...) retórica  é um termo com múltiplos significados. Alguns usam-no para se referirem a um conjunto de regras para compor um conjunto de observações competentes dirigidas a um auditório de ouvintes e leitores competentes. Alguns usam-no para referirem uma prática social de deliberação pública e de tomada de decisão. Alguns usam-no para referirem o discurso instrumental, ou um meio para um fim. Alguns referem-se à retórica como a comunicação que evoca uma necessária tomada de consciência para nos envolvermos através do raciocínio na reflexão e na acção. Alguns consideram que ela tem uma capacidade constitutiva, ou o poder de construir a realidade social instigando consciência colectiva sobre problemas públicos e a identidade colectiva dos grupos com eles relacionados»
(HAUSER, G. A., 2002, Introduction to Rhetorical Theory, Waveland Press, Inc, Illinois, p. 99).

Philippe Breton:
«Definir o campo da argumentação implica apreender a especificidade deste acto central da vida humana (...) Três elementos essenciais permitem circunscrever melhor esse campo:
— argumentar é, primeiro, comunicar: estamos, portanto, numa ‘situação de comunicação’, que implica, como qualquer situação deste tipo, parceiros e uma mensagem, uma dinâmica própria;
— argumentar não é convencer a qualquer preço, o que pressupõe uma ruptura com a retórica no sentido em que a esta não dizem respeito os meios de persuadir;
— argumentar é raciocinar, propor uma opinião a outros dando-lhe boas razões para aderirem a ela».
(A argumentação na comunicação, Pub. Dom Quixote, 1998, p. 22).

Ronald Lee e Karen King Lee:
«A argumentação é a teoria e a prática da justificação baseada em concepções do razoável».
(Arguing persuasively, Longman, 1989, p. 6).

Rui Grácio:
«Definiremos a argumentação como disciplina crítica de leitura e interacção entre as perspectivas inerentes à discursividade e cuja divergência os argumentadores tematizam em torno de um assunto em questão». 

Charles Arthur Willard:
«A argumentação é uma forma de interacção na qual duas ou mais pessoas mantêm o que constrem como sendo posições incompatíveis». 

«Uma argumentação é um encontro social construido sobre as seguintes minima: eu assumo que discordamos; eu assumo que tu assumes que nós descordamos; eu assumo que estou a argumentar e que tu concordarás que estou a argumentar; tu assumes que estás a argumentar e que eu concordo que estás a argumentar».
(A theory of argumentation, The University of alabama Press, 1989, p. 1 ep. 53).

Ruth Amossy:
O objecto de de estudo da argumentação são «os meios verbais que uma instância de locução põe a funcionar sobre o seus alocutários tentando fazê-los aderir a uma tese, modificar ou reforçar as representações e as opiniões que lhes são atribuídas ou, simplesmente, para suscitar a sua reflexão sobre um dado problema».
(L’Argumentation dans le discours, Armand Colin, 2006, p. 37).

Johnson and Blair:
«Um argumento é um processo dialéctico que implica a apresentação de uma posição  envolvendo a apresentação de uma posição e a oferta de respostas a questões relevantes para a aceitação da proposição».
Johnson, R.H. and Blair, J.A. 1987. "Argumentation As Dialectical." Argumentation, I: 41-56).

Trudy Govier:
«Um.. argumento é ... uma peça de discurso ou de escrita na qual alguém tenta convencer os outros (ou a si mesmo) da verdade de uma tese apresentando razões a seu favor».
(Govier, Trudy. 1987. Problems in Argument Analysis and Evaluation. Dordrecht: Foris Pubs., p. 4).

DAVID ZARESFKY:
«Devemos ver a argumentação como a prática de justificar decisões sob condições de incerteza».
(ZAREFSKY, D.,1995, «Argumentation in the tradition of speech communication studies» in EEMEREN, F. H. van, GROOTENDORST, R., BLAIR, J. A. & WILLARD ,C. A. (Eds.), Perspectives and approaches: Proceedings of the Third International Conference on Argumentation, Vol. 1, pp. 32-52, Amsterdam).

Jacobs & Jackson:
«os argumentos são acontecimentos discursivos de desacordo relevante baseados na irupção de uma ruptura quanto à resposta desejada numa conversação».
(Jackson, Sally, & Jacobs, Scott. 1980. "Structure of Conversational Argument: Pragmatic Bases for the Enthymeme." The Quarterly Journal of Speech. LXVI: p. 254).

KEUFER, BUTTLER E BUTTLER:
«Definiremos a retórica como o controlo de acontecimentos relativamente a um auditório. Para sermos mais específicos, digamos que a retórica é a estratégia da organização e da comunicação da versão dos acontecimentos de um orador numa dada situação com vista a afectar o aqui e agora da tomada de posição de um auditório».
(KAUFER, DAVID S., BRIAN, BUTLER, BUTTLER, BRIAN S., 1996, Rhetorics and the Arts of Design, Lawrence Erlbaum Associates Inc,US, p. 12).

WAYNE BROCKRIED:
A argumentação é «um processo através do qual as pessoas raciocinam o caminho que as leva de um conjunto de ideias problemáticas à escolha de um outro».
BROCKRIEDE, W., 1975, «Where is argument?» in Journal of the American Forensic Association, XIII, pp. 129-132

I. Richards:
A retórica é «o estudo do malentendido e dos seus remédios».
RICHARDS, I., 1936, Philosophy of Rethoric, Oxford, p. 3.

K. BURKe:
A retórica «enraiza-se numa função essencial da linguagem, uma função que é inteiramente realista e que se renova constantemente, o uso da linguagem como meio simbólico de induzir a cooperação entre seres que, por natureza, respondem aos símbolos».
BURKE, K., 1950, The Rhetoric of Motives, Berkeley, p. 43.

M. Gilbert:
«Uma argumentação é qualquer desacordo — da discussão mais polida à querela mais acessa».
GILBERT, M., 1997, Coalescent argumentation, LEA, p. 30.